Segurança do paciente começa antes do procedimento
Na Odontologia contemporânea, segurança não pode ser considerada apenas uma etapa operacional. Ela começa na avaliação e acompanha todas as decisões clínicas.
O primeiro procedimento é avaliar
Quando um paciente procura um tratamento odontológico, é natural que sua atenção esteja concentrada no procedimento e no resultado esperado. Para o profissional, entretanto, o cuidado começa muito antes.
Antes de uma cirurgia, de um procedimento facial ou de qualquer intervenção, existe uma série de decisões que ajudam a definir se aquele tratamento pode ser realizado, em quais condições e com quais cuidados. Esse processo é uma das bases da segurança do paciente.
Conhecer a história de saúde do paciente, medicamentos em uso, alergias, condições sistêmicas, procedimentos anteriores e possíveis fatores de risco pode modificar completamente um planejamento cirúrgico.
Dependendo do caso, exames complementares ou pareceres de outros profissionais também podem ser necessários. Na prática clínica, uma pergunta aparentemente simples pode evitar uma complicação. Por isso, uma boa anamnese não é burocracia. É parte do tratamento.
Saber dizer “ainda não” também é cuidar
Existe uma percepção equivocada de que a eficiência profissional está sempre relacionada à rapidez em realizar um procedimento. Nem sempre.
Em algumas situações, a conduta mais segura será solicitar uma investigação adicional. Em outras, será adiar uma intervenção. E eventualmente será necessário contraindicar determinado tratamento.
Essa capacidade de estabelecer limites faz parte da responsabilidade profissional. Um bom planejamento não responde apenas à pergunta “como fazer?”. Ele também precisa responder: “este é o momento adequado para fazer?”.
Individualização é uma medida de segurança
Protocolos são fundamentais porque organizam condutas e reduzem variabilidade. Entretanto, pacientes não são protocolos.
Cada pessoa apresenta características próprias que precisam ser incorporadas ao planejamento. Isso se torna particularmente relevante em procedimentos cirúrgicos e tratamentos da face, nos quais diferenças anatômicas podem modificar indicação, técnica e risco.
Individualizar uma conduta não significa abandonar evidências científicas. Significa utilizá-las dentro do contexto daquele paciente.
Segurança continua depois da intervenção
Uma abordagem segura também inclui acompanhamento. Orientações adequadas, identificação de sinais de alerta, disponibilidade para reavaliação e reconhecimento precoce de intercorrências fazem parte do cuidado.
Por isso, não deveríamos avaliar um procedimento apenas pela fotografia final ou pelo resultado imediato. A qualidade de uma assistência também está em tudo aquilo que foi feito para proteger o paciente durante o caminho.
Grande parte da segurança clínica permanece invisível para o paciente: o exame conferido novamente, a decisão de solicitar uma avaliação adicional, o protocolo revisado, a opção por adiar uma intervenção e o acompanhamento realizado posteriormente.
Na saúde, excelência não está apenas naquilo que realizamos com as mãos. Está também em tudo o que fazemos para proteger quem confia nelas.
Autoria:
Dra. Lídia Henninger
Cirurgiã-dentista, professora e Coordenadora Científica do Instituto Lídia Henninger.