Novo Livro Explora Desigualdades e Forças das Juventudes Brasileiras
Uma nova publicação que compila uma pesquisa realizada em três estados brasileiros foi lançada nesta terça-feira (31/3) no Museu de Arte do Rio. A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Juventude do Rio de Janeiro (JUVRio), a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso Brasil) e a Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). O livro, intitulado “Vulnerabilidades e resistências entre as juventudes brasileiras em contextos de desigualdades”, apresenta um estudo que oferece uma visão abrangente sobre as vivências de jovens no Rio de Janeiro, Piauí e São Paulo, em um contexto repleto de desigualdades sociais, que se tornaram ainda mais evidentes após a pandemia de Covid-19.
Cinquenta jovens, representando os Espaços da Juventude localizados em Campo Grande, Jacarezinho e Madureira, estiveram presentes no evento. A pesquisa, que incluiu análises de especialistas e relatos de jovens em situações urbanas e rurais, aborda questões cruciais como educação, mercado de trabalho, violência, territorialidade e expectativas de futuro. O objetivo central da publicação é fomentar o debate público e fornecer diretrizes para a criação de políticas que considerem as realidades enfrentadas pela juventude no Brasil.
A pesquisa se baseou em 22 grupos focais com jovens de diversas organizações e coletivos sociais, tanto rurais quanto urbanos, nos três estados. A intenção foi captar as percepções desses jovens sobre suas rotinas, oportunidades, desafios e as estratégias que estão desenvolvendo para lidar com desigualdades estruturais. No Rio de Janeiro, o estudo foi realizado em colaboração com a Secretaria Municipal da Juventude, que é responsável pela criação e execução de políticas públicas voltadas para a população jovem da cidade. Entre as áreas mapeadas estão comunidades como Rocinha, Babilônia e Cidade de Deus.
A secretária da Juventude Carioca, Gabriella Rodrigues, ressaltou a importância de ouvir os jovens na formulação de políticas públicas eficientes. “Essa pesquisa reafirma que a juventude enfrenta desafios enormes enquanto busca criar soluções dentro de suas realidades. É fundamental considerar as múltiplas realidades existentes para que as políticas públicas sejam realmente eficazes”, afirmou.
O livro também é um desdobramento do estudo “Trajetórias/práticas juvenis em tempos de pandemia de Covid-19”, coordenado pela Flacso Brasil, que contou com a participação de diversas instituições brasileiras e latino-americanas. Os resultados mostram que as medidas de contenção da pandemia afetaram significativamente as vidas dos jovens, exigindo adaptações em suas rotinas escolares, profissionais e sociais, além de acentuar desigualdades em áreas como educação e saúde.
A diretora da Flacso Brasil, Rita Potyguara, destacou que a publicação é resultado de um esforço colaborativo entre jovens e pesquisadores e que as diversas realidades retratadas nos territórios refletem a complexidade das experiências da juventude brasileira. “Este livro representa um momento de síntese de uma pesquisa que vem sendo construída ao longo dos anos, buscando compreender como os jovens estão enfrentando as mudanças e os desafios impostos pela pandemia”, declarou.
Diante desse cenário em transformação, a obra enfatiza a necessidade de ampliar as pesquisas e as políticas voltadas para as juventudes, levando em conta suas diversas realidades e potencialidades. Organizado em cinco eixos temáticos — Trabalho, Educação, Violências, Territorialidade e Tempo —, o livro combina análises acadêmicas com narrativas pessoais, revelando tanto as desigualdades históricas quanto a criatividade e a resiliência dos jovens.
A OEI, que atua na promoção de políticas públicas nas áreas de educação, ciência, cultura e direitos humanos em países ibero-americanos, reforçou a importância de reconhecer os jovens como protagonistas no desenvolvimento sustentável e na democracia. “Os dados revelam desafios estruturais significativos: apenas 26% dos jovens entrevistados possuem emprego formal, e uma grande parte está na informalidade. Mesmo diante dessas adversidades, a juventude mostra uma notável capacidade de adaptação e resistência”, comentou Rodrigo Rossi, diretor da OEI no Brasil.
Para acessar o livro “Vulnerabilidades e resistências entre as juventudes brasileiras em contextos de desigualdades”, os interessados podem visitar as redes sociais da Secretaria Municipal de Juventude, onde o link está disponível: www.instagram.com/juvrio.




