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Aliança entre Assespro-RJ, Riosoft e TI Rio fortalece inovação no Estado

O setor de tecnologia do Rio de Janeiro passa a contar com uma nova articulação institucional voltada a ampliar sua presença nas discussões econômicas, regulatórias e de inovação. Assespro-RJ, Riosoft e TI Rio formalizaram uma aliança que coloca as três entidades em torno de uma agenda compartilhada para o desenvolvimento do mercado fluminense de tecnologia. O anúncio ocorreu durante o painel “Liderança organizada para um Rio mais inteligente”, realizado no Rio Innovation Week, e representa uma tentativa de dar maior escala a iniciativas que, até agora, nem sempre avançavam de maneira coordenada.

A proposta não prevê a fusão das organizações. Cada uma continuará com sua identidade, estrutura, governança e atividades próprias. A mudança está na construção de uma frente capaz de defender interesses convergentes, desenvolver projetos em conjunto e estabelecer interlocução mais organizada com governos, instituições de ensino, centros de pesquisa, empresas, investidores e agentes de fomento.

Na prática, a expectativa é transformar o peso econômico e técnico do segmento de tecnologia em maior capacidade de influência sobre decisões que afetam diretamente o crescimento das empresas instaladas no estado.

Uma frente comum para um setor estratégico

A criação da aliança parte de uma constatação compartilhada pelas entidades: um ecossistema de inovação não cresce apenas porque possui boas empresas, pesquisadores qualificados ou universidades reconhecidas. Esses elementos precisam estar conectados. Sem articulação, o resultado pode ser semelhante a ter diversas peças de uma engrenagem de alta precisão funcionando separadamente — existe capacidade, mas falta o mecanismo que faça tudo trabalhar na mesma direção.

Assespro-RJ, Riosoft e TI Rio pretendem justamente atuar nesse espaço de conexão. O objetivo é identificar interesses comuns e levar demandas do setor a diferentes níveis da administração pública, ao mesmo tempo em que aproximam empresas de oportunidades de financiamento, programas de inovação, universidades e ambientes tecnológicos.

Robert Janssen, presidente da Federação da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro-RJ), destacou a colaboração como elemento central dessa estratégia. Segundo ele, a união das capacidades de representação das entidades permite construir uma agenda permanente voltada às empresas, ao empreendedorismo, à pesquisa e à formação de profissionais.

A iniciativa também procura consolidar a tecnologia como um componente transversal da economia fluminense. Isso significa enxergar o setor não somente pelas empresas que desenvolvem software ou serviços digitais, mas também por seu impacto em indústrias como energia, saúde, audiovisual, logística, serviços financeiros, turismo, comércio e economia criativa.

Potencial tecnológico do Rio pede mais integração

Segundo os dados apresentados pelas entidades, o Estado do Rio de Janeiro possui mais de 30 mil empresas de tecnologia da informação. A dimensão desse mercado ajuda a explicar por que uma articulação institucional mais ampla pode produzir impactos que ultrapassam os limites do próprio setor.

O território fluminense também concentra universidades, laboratórios, centros de pesquisa, startups, parques tecnológicos, incubadoras e profissionais especializados. É uma combinação pouco comum de ativos científicos e econômicos, especialmente quando se considera a presença de setores altamente intensivos em tecnologia, como petróleo e gás, energia, telecomunicações, defesa, audiovisual e saúde.

A existência dessa infraestrutura, no entanto, não significa que as conexões ocorram automaticamente. Empresas menores podem ter dificuldade para conhecer programas de financiamento. Pesquisas desenvolvidas dentro de universidades nem sempre chegam ao mercado. Startups podem encontrar barreiras para acessar grandes corporações, enquanto iniciativas relevantes surgidas no interior têm menor visibilidade na capital.

É justamente essa distância entre potencial e integração que a nova aliança pretende enfrentar. Ao criar canais permanentes entre organizações empresariais, academia e poder público, as entidades esperam diminuir a dispersão das iniciativas e favorecer projetos com maior alcance econômico.

Agenda conjunta amplia interlocução com o poder público

Uma das frentes consideradas prioritárias será a representação institucional junto às prefeituras, ao Governo do Estado, aos ministérios, ao Congresso Nacional e a demais estruturas federais relacionadas a tecnologia, inovação, empreendedorismo e desenvolvimento econômico.

Para as empresas, essa articulação pode fazer diferença em temas como tributação, regulação, contratação pública, financiamento, qualificação profissional e políticas de incentivo à inovação. Mudanças nessas áreas costumam afetar diretamente custos, investimentos e decisões sobre expansão.

A aliança pretende levar a esses espaços uma visão mais consolidada das demandas empresariais. Em lugar de pautas isoladas, a intenção é construir posicionamentos respaldados pelas três entidades e, sempre que possível, acompanhados de estudos, indicadores e informações sobre o mercado fluminense.

Esse trabalho também deverá envolver municípios. A dinâmica tecnológica do estado não está limitada à cidade do Rio de Janeiro, e políticas locais podem exercer grande influência sobre a criação de ambientes de inovação, implantação de empresas e desenvolvimento de polos especializados.

Fomento, talentos e inteligência setorial entram nas prioridades

Outra frente relevante será aproximar empresas e ecossistemas locais das instituições responsáveis pelo financiamento da inovação. Editais, linhas de crédito, recursos para pesquisa e programas de aceleração existem em diferentes esferas, mas o acesso costuma depender de informação, estruturação de projetos e conhecimento sobre os mecanismos disponíveis.

A agenda comum prevê maior interlocução com agências de fomento e instituições financiadoras, criando pontes para que mais negócios fluminenses conheçam e utilizem esses instrumentos.

As entidades também querem estimular a produção de estudos e indicadores próprios. Ter dados consistentes sobre número de empresas, empregos, investimentos, necessidades de qualificação e evolução de diferentes segmentos pode melhorar tanto as decisões empresariais quanto a formulação de políticas públicas.

A formação e retenção de profissionais aparece como outro ponto-chave. Num setor em que conhecimento representa praticamente a matéria-prima do negócio, competir por talentos é tão importante quanto conquistar clientes. Criar oportunidades, aproximar empresas de instituições de ensino e ampliar a qualificação profissional serão componentes essenciais dessa estratégia.

Capital e interior entram no mesmo mapa de inovação

Um dos aspectos mais importantes da proposta está na intenção de integrar os diferentes polos tecnológicos existentes no território fluminense. A capital concentra empresas e instituições relevantes, mas municípios do interior também desenvolveram competências próprias relacionadas a pesquisa, energia, indústria, tecnologia, serviços digitais e empreendedorismo.

A aliança pretende estimular maior circulação de informações, oportunidades e projetos entre essas regiões. Isso pode permitir, por exemplo, que uma empresa localizada em um polo regional encontre parceiros acadêmicos em outra cidade ou participe de iniciativas promovidas originalmente na Região Metropolitana.

A lógica é substituir ilhas de inovação por uma rede. Quanto mais empresas, universidades, centros de pesquisa e ambientes empreendedores se conectam, maiores são as possibilidades de gerar projetos interdisciplinares, atrair capital e transformar conhecimento científico em soluções comercialmente viáveis.

Esse movimento também pode contribuir para a geração de empregos qualificados fora da capital, ajudando diferentes regiões do estado a desenvolver vocações econômicas apoiadas por tecnologia.

Diálogo institucional será mantido com independência política

Diálogo institucional será mantido com independência política

Entre as primeiras atividades anunciadas pela aliança está a realização de encontros institucionais com candidatos e pré-candidatos aos poderes Executivo e Legislativo. As reuniões terão como objetivo apresentar dados sobre o setor, discutir demandas empresariais e conhecer propostas relacionadas a tecnologia, inovação e desenvolvimento econômico.

As três entidades ressaltam que a iniciativa será conduzida de maneira plural e independente, respeitando a legislação eleitoral e sem representar apoio ou adesão a candidaturas específicas.

Esse posicionamento é importante porque a estratégia pretende estabelecer canais que permaneçam ativos independentemente das disputas eleitorais. A ideia é criar uma interlocução continuada entre representantes públicos e um segmento que influencia produtividade, emprego, investimento e competitividade em praticamente todas as áreas da economia.

Projetos desenvolvidos pela aliança serão definidos de forma compartilhada, com responsabilidades, metas e resultados previamente estabelecidos. Assim, Assespro-RJ, Riosoft e TI Rio buscam transformar a cooperação institucional em ações mensuráveis.

Mais do que aproximar três organizações, a iniciativa sinaliza uma tentativa de dar ao ecossistema de tecnologia e inovação do Rio de Janeiro uma voz mais coordenada. Se conseguir conectar empresas, conhecimento científico, capital e políticas públicas, a aliança poderá contribuir para que a tecnologia tenha participação ainda maior no futuro econômico do estado.

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Redação Rio Notícias

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