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Glória Maria, entenda seu legado e importância para o jornalismo brasileiro

Aos 73 anos, Glória Maria faleceu no Rio de Janeiro na manhã desta quinta-feira (02/02). Jornalista e apresentadora lutava contra um câncer no pulmão, que teve metástase no cérebro. Em meados do ano passado, ela começou uma nova fase do tratamento para combater novas metástases cerebrais que deixou de fazer efeito nos últimos dias.

Sua vida pessoal e importância para o jornalismo brasileiro

Nascida no bairro de Vila Isabel, na Zona Norte do Rio de Janeiro, Glória Maria, filha do alfaiate Cosme Braga da Silva e da dona de casa Edna Alves Matta, estudou em colégios públicos ao longo de toda a sua infância. “Aprendi inglês, francês, latim e vencia todos os concursos de redação da escola”, disse a mesma.

Graduada em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), na década de 1960 foi princesa do bloco carnavalesco Cacique de Ramos. De acordo com Bira Presidente, ela conseguiu seu primeiro emprego quando foi, junto com o bloco, apresentar-se no programa do Chacrinha, na Globo. Após o apresentação, conseguiu um estágio na emissora, já que tinha concluído o curso superior.

Após período de estágio, ela foi efetivada nos anos de 1970, e sua primeira reportagem para a Globo foi sobre a queda do Elevado Paulo de Frontin, quase um ano depois. Em pouco tempo tornou-se âncora da emissora, apresentando vários programas jornalísticos famosos como Bom dia Rio, RJTV, Jornal Hoje, e Fantástico, que apresentou de 1998 a 2007. Ficou bastante conhecida pelas diversas viagens que fez a lugares diferentes, como por exemplo o deserto do Saara e a Palestina. Inclusive, ela cobriu também a Guerra das Malvinas, em 1982.

Ela foi a primeira repórter a entrar ao vivo, e em cores, na televisão brasileira, no Jornal Nacional, quando em 1977 mostrava o movimento de saída de carros em um final de semana do Rio de Janeiro.

Fez entrevista com grandes estrelas como Michael Jackson. Quando acompanhou as gravações do clipe da música They Don’t Care About Us, que aconteceram em 1996 no morro Dona Marta, no Rio de Janeiro. Ela também entrevistou outras celebridades como Freddie Mercury, Madonna e Mick Jagger.

Glória também fez a primeira transmissão em HD da televisão brasileira, em uma reportagem do Fantástico em 2007. Em janeiro de 2010, reuniu-se com os diretores de jornalismo da Globo, sendo então decidido que ela seria repórter especial do programa Globo Repórter, do qual participou por vários anos, algumas vezes como co-apresentadora, ao lado de Sérgio Chapelin, e posteriormente, Sandra Annenberg.

Em junho de 2009, adotou as meninas Maria e Laura, irmãs biológicas que conheceu durante visitas à Organização de Auxílio Fraterno (OAF) do bairro de Caixa d’Água, em Salvador, na Bahia.

“Eu nunca quis ser mãe. O trabalho me preenchia, minha vida era perfeita. Elas surgiram por acaso. Eu nunca tinha pensado em ter filhos até que vi as duas pela primeira vez e tive certeza de que elas eram minhas filhas. Isso é uma coisa que não sei explicar”, afirmou Glória em entrevista ao programa Conversa com Bial.

Repercussão da sua despedida

O presidente Lula lamentou, em suas redes sociais: “Recebo com muita tristeza a notícia da morte de Glória Maria, uma das maiores jornalistas da história da nossa televisão. Glória foi repórter em momentos marcantes do Brasil e do mundo, entrevistou grandes nomes e deixou sua marca na memória de brasileiros e brasileiras.”

Não consigo traduzir em palavras esta quinta. Então vou deixar aqui um relato. No meu primeiro vivo de hoje na Globonews não consegui segurar a emoção ao falar sobre Glória Maria. Uma hora depois um senhor negro foi até onde eu estava. Me disse que precisava me mostrar o filho pré-adolescente, um menino negro. Falou que se emocionou comigo e que assim como ele viu Glória Maria ser possível, ele ficava emocionado ao me ver também sendo possível. Falou que pra gente como nós era muito representativo ver a ocupação desses espaços e que queria que o filho me conhecesse pra saber das possibilidades. É isso que a Glória Maria nos brindou, não era sobre mim, mas sobre todos os meus. Glória será eterna pra sempre!”, escreveu Karla Lucena, repórter da TV Globo.

A atual Ministra da Igualdade Racial do Brasil, Anielle Franco, irmão de Marielle Franco, homenageou a repórter: “Acabamos de receber a notícia de que Glória Maria faleceu. Meus sentimentos à família. Quem é mulher negra sabe da importância de tê-la visto na televisão. Glória é considerada a primeira repórter negra da televisão e sempre será lembrada como sinônimo de competência.”

O Jornal Nacional fez um lindo trabalho ao lembrar da icônica trajetória da jornalista em horário nobre, por mais de 50 minutos. Encerrando a edição com cinco minutos de aplausos ininterrupto de diversas redações da emissora.

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Pedro Carvalho

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