‘Camarão’ pré-histórico revela segredos dos artrópodes

No período Cambriano, há cerca de 508 milhões de anos, um ser vivo conhecido como Odaraia alata vivia nos rasos oceanos pré-históricos. Esse animal é comparado por paleontólogos aos nossos camarões modernos e tinha 20 centímetros de comprimento, o que para aquela época era considerado grande. Hoje Cerca de 70% dos animais na Terra são artrópodes com mandíbulas, às vezes em formato de pinça como centopeias, abelhas, camarões e caranguejos. E os cientistas querem descobrir como esses organismos se tornaram tão diversos nos últimos 500 milhões de anos. Talvez este camarão ancestral com casco no formato de um taco mexicano possa explicar.

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Um novo estudo de fósseis do Odaraia alata apresenta as primeiras evidências sólidas de que o animal tinha mandíbulas e provavelmente coletava comida no mar aberto, não só no fundo do mar, como se imaginava. Essas informações preenchem lacunas no nosso conhecimento evolutivo, explicando o estabelecimento das teias alimentares marinhas. Estes camarões ancestrais tinham um casco num formato semelhante a um taco mexicano que os ajudava a impulsionar pelas águas, às vezes até de cabeça para baixo.

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Tendo como base um estudo de 1981, o paleontólogo Alejandro Izquierdo López, da Universidade de Toronto, liderou uma equipe que analisou 150 espécimes de Odaraia alata da coleção do Museu Real de Ontário, destes, 24 fósseis em condições excelentes de preservação foram selecionados para mais estudos.

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- Felizmente, os fósseis foram encontrados no Folhelho Burgess, um sítio no Canadá com taxas altíssimas de preservação das partes moles dos corpos dos fósseis, assim descobrimos detalhes sobre a cabeça e as pernas do animal. Os fósseis tinham as mandíbulas claramente delimitadas, com seus pequenos dentes conservados. Entre as mandíbulas havia um único dente, separado de tudo, provavelmente usado para ajudar a moer comida. Parecia um tridente – revelou López

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Outra descoberta sobre o Odaraia alata é que suas pernas eram cobertas por dúzias de espinhos grandes e centenas de pequenos espinhos. Elas provavelmente se interligavam para formar algo parecido com uma rede de pesca, usada para capturar plânctons e outras presas de até um centímetro de comprimento. Seus olhos eram grandes em relação ao seu corpo, uma característica comum de predadores.

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- As descobertas apontam para um animal que provavelmente era um misto de filtrador com predador. Essa flexibilidade pode ter possibilitado o sucesso evolucionário de outros artrópodes com mandíbula, explicando o porquê de serem tão comuns até hoje. Os artrópodes podem ter perdido o casco-taco, mas têm mantido essa forma de alimentação por meio bilhão de anos – acredita o professor Izquierdo López.

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 Fonte: Proceedings of The Royal Scoiety B

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  • Ricardo Albuquerque é Biólogo, especializado em entomologia, fotógrafo e jornalista profissional.
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